Zuricoara

O infindável mistério de Zuricoara

CAPÍTULO I - A RELVA DE PEDRA

Olhando ao redor viria a relva de pedra, o céu ininterrupto de poluição e as pombas famintas em cima dos postes enferrujados no centro da cidade. Cada olhar uma moça diferente, e não saíra de minha cabeça a imagem daquela que fizera dos meus sonhos, a casa de minha felicidade.

Tudo aconteceu no verão do ano passado. Viajara para a cidade dos meus avós, Zuricoara. Bom, calor e matagal por todo o lado. Não era de se esperar felicidade alguma de minha parte, logo eu, morador de exuberantes torres de concreto que perpetuavam a minha cidade. De outros tempos, já havia conhecido amigos que moravam naquela cidadezinha. João, amigo de infância. Felipe, o filho da diretora do colégio. Lucas, o meu vizinho. E por último, não menos importante, Higor, o garoto mais popular.

A cidade num tom sonolento de preguiça reinara a dificuldade de conhecer pessoas novas. Pontos de esperança eram as noites, logo após a missa. A negativa de pensar que não haviam mulheres bonitas estavam exageradamente erradas. Corpos torneados, rostos delicados. A naturalidade era um ponto que não seria excluído á tantas garotas.

E foi naquele instante, passara descendo as escadarias do palacete religioso, um ser andante tão oblíquo á luz, que me deixara cego. Aquele sorriso temperamental olhando ao seu redor, o vestido branco que usara. Logo de início achei que fosse obra de minha imaginação, mas não era. A moça se aproximara, e a sua imagem mais nítida ficara. Ao seu redor estavam suas amigas, que semelhantes á sentinelas, seguiam-na. Virei-me e perguntei ao meu amigo:

- João, quem é aquela moça, de vestido branco e pele clara.

João, o amigo, reviraria seus olhos como dizendo:

- É Helena, Tomás, a moça mais bonita de todo o nordeste. Seus detalhes famintos de desejo aguçavam boa parte dos homens que vivem aqui.

Eu, tão concentrado na moça, perguntara mais uma vez:

- Nunca á avistei aqui, onde vive? Filha de quem?

João, como o previsto, responderia ao jovem que parecia está viciado naquela jovem.

- É filha do prefeito da cidade, desejada, porém, remontaria medo na cabeça de quem a imaginara. O pai, ciumento, não a deixara sair com nenhum homem, a não ser primos... ou chegados á família.

Olhei-a fixamente tentando encontrar algum sentido em minha mente, e num instante de tempo, a moça voltaria aquele olhar flamejante á mim. E daí, não parou. Pessoas passavam em nossas voltas, e o detalhe que conseguia notar, eram apenas daqueles olhos esverdeados, num tom regido de mel. Nos encaramos durante horas, e horas. Fixamos o olhar por tanto tempo, que parecera estátuas de parques públicos. Naquele momento saberia dizer-lhes que encontraria a mulher de minha vida.

CAPÍTULO II - O SONHO

Não pareceria tão mal estar naquela cidadezinha, acordei naquele próspero dia após uma ressaca que eu diria ser de amor. A minha noite recordara o momento diversas vezes, a cena era formidável aos meus pensares.

O sol rebatia as nuvens, para que ficassem o mais longe possível, e o dia parecera mais brilhante para todos. A cidade, em questão, trazia a sua inquietude, mas estava prestes a quebrar o silêncio.

Meus amigos, como de costume, nos encontravamos na praça. Logo de manhã, a conversa não seria diferente. O quão eu estava perplexo por ter encontrado aquela moça. João, me ouvia e ficaria atento aos traços que comentava, já Felipe, estaria agasalhado, mesmo naquele calor de matar.

Ano retraso, quando vim pela primeira vez em Zuricoara, Felipe passaria por um momento difícil. Seu pai, agricultor, havia sido morto decorrente de algo desconhecido. O garoto sempre mostrar inquietude em seu olhar morto. Sempre tentara anima-lô com brincadeiras e gestos de carinho. Mas nada ajudava.

- Felipe, você está bem? Perguntaria ao garoto, que estaria se remoendo de frio.

- Sim, Tomás. Estou ótimo. Responderia o garoto.

Sem querer aguçar o garoto, quis terminar a conversa por ai. E me virei para João.

- Gostaria de conhecer Helena. Sabe onde ela mora? Perguntaria Tómas, ao jovem amigo.

- Ela mora ali, apontaria em direção ao norte. Você vai lá? Responderia a perguntaria, e logo remontaria outra.

- Irei! Até mais tarde!! Tómas sairia correndo após se despedir, acenando para os amigos que estavam sentados naquele banco de praça.

Queria conhecer a bela moça que avistara na praça, no dia anterior. Não teria o conhecimento necessário para saber a localização da tal. Para mim, só restava desfrutar de novos acessos e caminhos, naquela cidadezinha, de Zuricoara.

Andei pela cidade, nas diretrizes que João falara para mim á procura de onde ficaria a casa do prefeito, passei por casas bem coloridas, e algumas que poderiam ser chamadas de velharias. Inclusive, uma pousada, que mais pareceria um palacete do período colonial. As ruas recebiam o calor daquele clima escaldante, e os paralelepípedos dificultavam a locomoção de quem estava com suas sandálias. Depois de muito caminhar encontrei. A casa era enorme, de cores bem claras, uma varanda de larga amplitude e dedicada á dias de normalidade com um bom chá e jornal para ler as notícias da cidade.

Olhei ao redor, para checar se haveriam pessoas para me doarem informações, e só encontrei uma velharia, ao lado. Logo fui em direção do estabelecimento que estava perto. Avistei uma que seria o ''Açaí do senhor Gustavinho''. Um lugar aparentemente velho, com uma fachada rebuscada por uma tinta ainda dos anos 80, e uma escritura gigantesca em cima do estabelecimento "Vote no Prefeito Hércules!''.

Fui para lá e perguntei ao velho moço, de cabelos grisalhos e bafo de pinga barata:

- A filha do prefeito se encontra na localidade?

O velho, levantara com sua muleta, ainda bambo devido ao golpe da bebida e me respondera:

- O que você quer com a filha do Pre...Pre.... Prefeito Hércules?

A desenvoltura do rosto daquele velho mudara drasticamente, e me assustara a forma que o mesmo responderia a minha perguntara.

A resposta para a pergunta estava meio confusa, não conheceria a moça, mas em meu pensamento, ela já faria parte da minha alma. Pensei então, em algo para despistar, e respondi:

- Sou amigo de anos.... gostaria de saber se ela está no momento.

O velho num instante de segundo revistaria o jovem só com um olhar, fazendo com que eu me sentisse ao menos envergonhado.

- Creio que a filha do Prefeito Hércules não andaria com um jovem de quilate tão pequeno como o do senhor.

Naquele momento, eu olhara as minhas roupas, que de certeza teria o quão eram de terceira mão, minhas unhas encardidas, meu cabelo despenteado e a barba por fazer.

- Sou amigo dela! Já vos disse, agora responda a minha pergunta!

O velho sentara novamente na bancada que costumara esperar os clientes, e responderia ao jovem que pareceria nervoso.

- Nos finais de semana a jovem Helena estuda num convento, no alto das montanhas, lá fica a semana, e só volta nos finais de semana para casa de seu pai.

O resultado daquela resposta foi drástica aos meus pensamentos, imaginei-a como a pessoa que poderia tomar conta do meu coração, agora saberia que estava estudando para ser freira. Revirei o meu olhar á casa do prefeito, e me despedi do velho.

CAPÍTULO III - HELENA E SEU DIÁRIO

Acordara daquele sono que seria intenso, a jovem Helena, que no convento era chamada por seu sobrenome, Dellamour, deitara na cama 17º, perto da janela, e tinha uma vista privilegiada do alto da montanha.

Lembrou nesse tempo que dormiu, do jovem novato, que avistara em sua cidade. Barbudo, alto e de um olhar tão quente, que a deixara insaciável de amor. A jovem saberia que desejaria aquele novato, que não saberia dizer o seu nome.

- Lídia, Lídia! Venha! Vou lhe contar uma coisa.

A amiga correria em direção á Jovem Helena, e deitaria em seu colo. Naquela cama bagunçada.

- Sim, Dellamour. Me diga!

Com um sinal de silêncio com as mãos, a jovem Helena perguntaria á sua amiga, senhorita Carmem Lídia:

- Promete não contar para ninguém? Promete?.

Repitiria a frase diversas vezes á sua amiga.

- Prometo! É claro!.

Helena, como se fosse esvaziar totalmente, contaria á sua amiga sobre o garoto.

- Acho que estou apaixonada. Vi um garoto ontem em minha cidade, nunca o vi antes, ficamos nos encarando, lendo os olhares, creio que talvez nunca tenha acontecido comigo. Acho que foi como nos filmes, Lídia.

A amiga, Lídia. Num instante consentiu o que Helena falara, mas respondeu de forma intrigante:

- Não, Helena! Você não pode se apaixonar, será freira! Estamos no último ano, imagina! Tudo que você planejou acabar por um Homem?! Não, Helana, não... não...não.

A jovem amiga repitiria para que Helena entendesse o que falara, e não esquecesse.

Mas Helena debatia-se consigo mesmo, sobre o que era certo ou errado. E diz á amiga.

- E se ele for o homem de minha vida? Eu nunca senti os lábios de um homem... nunca fui tocada, e se eu quisesse senti-lo?

Lídia olhara de uma maneira peculiar para Helena.

- NÃO! Como pensar isso? Você não pode! Pense em CRISTO! Ele é a salvação, largue esses pecados minha amiga.

Lídia se levantara e correra segurando sua camisola esverdeada, para que não alcançasse o chão empoeirado.

Helena olhara novamente á vista que teria do topo da montanha, e pensara em tudo que sua amiga assumira na conversa que tiveram. Mas para Helena, o mais importante era o que estaria dentro do seu coração, as ações que sempre fizera, fora o que sua mãe lhe ensinaria antes de falecer. Mas saberia, que nem sempre seus desejos e vontades dariam certo. Pois na maioria dos casos, o seu ai tinha o controle de sua vida.

CAPITULO IV -

A FAMÍLIA DELLAMOUR

Os Dellamour são uma família de descendência francesa, localizada no sudoeste de París. O avô, do então Prefeito Hércules, veio para o Brasil, fugindo da guerra napoleônica que acontecera em seu país naquela época. De família nobre francesa, o sangue azul reinara na mais nova terra. Casou-se com uma Brasileira, no nordeste, e morara na cidadezinha de Zuricoara. O velho, cujo nome é Valentim Dellamour, formou-se em direito na universidade de seu país, e no Brasil exerceu papel fundamental na estrutura política colonial. Com sua esposa, Dona Viviane, tivera dois filhos. Arnaldo Dellamour, e o pai de Hércules, Simplício Dellamour. Aglomerou por sua vida riquezas inesgotáveis, incluindo terras e tesouros, como o próprio palacete que fizera, e hoje servira como uma pousada aos que vem de fora.

De certa forma, saberia a história da família da moça que viria há dois dias. E entendeu o porquê do velho ter lhe ofendido daquela maneira. A representatividade da família era de extrema importância para aqueles que ali estavam a muito tempo.

Então simplesmente da leitura daquele folheto empoeirado, saberia da realidade. E naquela dia, nublado, fora perguntar ao meu avô, que deitado naquela rede do casebre, estaria cochilando.

- Vô! O senhor está acordado?

O velho, cuja identidade constaria na numeração 000... não falarei, pois é de menor importância, mas o seu nome, Bruno Theodoro, acordara do fúnebre sonho que tivera.

- Diga! Perdão, o cochilo matinal é de extrema importância, digo, não deveria me atrapalhar...

O garoto sentara próximo ao velho, e diria.

- É rápido. O senhor conhece a Família Dellamour?

Bruno, tiraria de seu bolso o velho cachimbo de palha, colocara na boca e com seu isqueiro, acenderia o mesmo.

- É a mais rica de todo o nordeste, me espanta ter conhecimento dessa família... é novo, a não ser que...

O jovem entendendo o que seu avô falara, responderia.

- É, a jovem, Helena.

O velho olharia ao céu. E falaria:

- Helena, sim, claro. A filha de Hércules. Ela realmente é linda, uma beleza inescusável, assim como a sua mãe.

O jovem rebatia o que o seu avô falaria.

- A mãe de Helena? O senhor a conhece?

O velho devolveria o olhar para seu neto.

- Claro que a conheço, fomos namorados na infância, o meu primeiro amor.

O jovem assustado, redobraria a sua expressão de surpresa.

- Então deve a conhecer muito bem. Namorou a mãe dela!

O velho fungando o seu cachimbo de palha, responderia.

- Conheço o suficiente para saber que você deve ficar o mais longe possível da filha dela. Além de ser filha do Dellamour, está estudando para ser freira. Não faria sentido algum a garota lhe corresponder.

O jovem ficaria pensando no que seu avô falaria, e foi de suma importância para que mudasse de ponto de vista.

- Obrigado, vô. Verei o que posso fazer.

O velho, acendera mais uma vez o seu velho cachimbo.

- Olhe, há tantas garotas bonitas nessa cidade, encontre alguma. Tenho certeza que não ficará atrás.

Reviraria o olhar para o portão, sentaria na rua que haveria na frente da casa. E ficaria por lá, durante horas pensando.

CAPÍTULO V - A GRANDE FESTA

Naquele mês, comemorava-se o São João na cidade dos meus Pais, Zuricoara. Famosa festa onde todos relutavam numa alegria, envolto de bebidas quentes e comidas para todos. O prefeito prometera para a cidade uma banda enorme para que fosse a maior festa que a cidade já teve. Todos os dias, carros com megafones passavam na rua dos meus avós, publicando o grande acontecimento. Estava indagado com a situação que me encontrara, mesmo sabendo de todas as implicações que teria num relacionamento, onde nem eu conheceria a moça, estaria turbulento, nada mais passara na cabeça além do ato de desistir da situação, e rumar para outras garotas.

Os meus amigos, ou conhecidos, classifiquem como quiserem, eram Higor, da rua de baixo, Lucas do centro e Felipe, da quadra. incluindo, João, filho da Delegada da cidade. Estavam bem entusiasmados com a festa, que aconteceria dentro de 2 dias. O assunto da cidade era esse, a Grande Festa.

Mas João, não pareceria tão surpreso pela festa.

- Isso está me cheirando mal.

- O que? Eu perguntaria ao meu amigo.

João sentara no banco que haveria ali próximo.

- Não sei de onde o prefeito está tirando tanto dinheiro para financiar essa festa. Está claro que nossa cidade sofre de crise financeira. Olhe o lago da praça central, nem água tem. Ou as ruas que foram prometidas asfaltadas, até hoje nem sinal de carros fortes por lá. Sem falar das lojas que estão fechando, pelo alto aluguel que o Prefeito está cobrando. Aí tem.

- Talvez ele tenha guardado, ou pedido empréstimo. Responderia sem qualquer conhecimento sobre o assunto.

- Não, Não. Guardado não tem nada, e pedir empréstimo de quem? O banco da cidade tá mais fálido que a própria prefeitura!

Cocei a cabeça indagado com a situação pensada por João, e não saberia nenhuma forma de responder todos os fatos alegados pelo meu amigo.

- Você deve está certo. Creio que há algo de diferente em tudo isso.

João levantaria, tiraria um papel de seu bolso, e iria em direção ao banco.

- Preciso sacar esse dinheiro para a minha mãe, depois conversamos mais. Até.

Se despediria de mim, e rumaria em direção ao Banco de Zuricoara.

Tocado com o que dissera João, pôs em seu lugar, e dúvidas recorrentes á esses fatos subiram em minha cabeça. Cursando direito, em meu sexto semestre, saberia ter uma noção básica de como as contas públicas deveriam funcionar.

Na cidade não haviam muitos Hobbies para se criar, então, decidi criar o meu. Chamei os jovens rebeldes, daquela cidade ''movimentadíssima'', e contei-lhe á eles as turbulentas escolhas que passavam-se na cidade.

Mas por onde nós começamos? Não teria conhecimento suficiente para saber quais eram as pessoas certas. Mas eles sabiam.

- O aluguel da minha casa aumentou demais da conta, minha mãe teve que passar mais horas no hospital para que pudesse pagar. Falaria o jovem Higor, que morara na rua de baixo da prefeitura.

- Sim, eu fiquei sabendo. Moro em casa própria, mas eu tenho um tio, e ele tem um estabelecimento, vende materiais de construções. Há o mesmo relato que você disse, Higor. O aumento constante das taxas do aluguel. Completaria o outro jovem, Lucas.

Todos me falaram que os aluguéis tinham aumentado, a maneira mais coerente seria procurar por donos de estabelecimento próximos.

Veio então em minha mente.

- O que acham de procurarmos o velho, que possui um açaí, ao lado da prefeitura?

Mesmo com olhares de medo ao fato que havia perguntado, os jovens concordaram com a minha ideia.

- Então deixaremos para amanhã.

Naquela tarde tínhamos a certeza que algo grande estava prestes á iniciar, e não saberíamos quando terminaria.

CAPÍTULO VI - O VERÍDICO CASO DO SENHOR GUSTAVO

Amanheceria um dia antes da grande festa, os jovens,Tomás, Higor, Lucas e Felipe iriam atrás do velho do casebre que vendia Açaí.

Passaram a noite pensando em perguntas que pudessem ajuda-los em alguma fórmula convincente para ter sucesso na jogada que haviam tramado.

O velho, cuja o nome é Gustavo. Não é muito bem visto na cidade. Há relatos de injúrias raciais, e até mesmo, de ter matado um companheiro de trabalho, na época onde escoavam o ouro do Rio Zuricoara. Mas eram histórias, ninguém ao certo saberia dizer se haviam acontecido todos esses relatos, mesmo assim, o medo tomava conta da pequena população da cidadezinha.

Chegando no estabelecimento, lá estaria o Velho. Sentado como de costume em sua cadeira balançante, olharia o garoto subindo a escadaria de sua vendinha.

- Novamente o senhor por aqui? E trouxe amigos, vejo.

O jovem, repuldiaria a pergunta do velho.

- Não vim pela moça, apenas vim fazer algumas perguntas ao senhor.

O velho indagado com o que o garoto se referiria, perguntara:

- Perguntas sobre o quê, meu jovem?

- Sobre o aluguel. Por qual motivo o prefeito aumentara os custos do aluguel de todos os estabelecimentos?

- Ah, meu jovem. Isso não é pergunta que se faça, nem daqui ao menos é.

- Mas nós somos, responderia ao fundo do grupo reunidos de garoto, Felipe.

- Somos daqui, e precisamos saber a principal causa. Nossos familiares não possuem o conhecimento, mal conhecem o prefeito. Você o conhece, minha mãe me contou, você é aliado dele! Diria o jovem Higor em tom rebuscado pela passividade que levaria a despejar toda aquela folia em palavras.

- Preciso da informação, não para mim, mas para o bem de todos, disse ao velho.

- Não direi o quanto pago, seria uma informação desnecessária á vocês, mas posso lhe dizer uma coisa... Nem tudo é flores, nem tudo que o prefeito toca, vira ''maravilha''. Tome cuidado com que procuram nessa cidade, meus jovem. Talvez não tenham tempo de cavar as suas próprias covas. Zuricoara esconde segredos que seriam absurdos ouvidos por uma prole de jovens curiosos. Não sou tão devoto do prefeito quanto pensam, e tenho certeza que nem vocês.

Todos olhavam para o velho, indecisos com a sua fala. Mas, eu, saberia que haveria verdades no que falara. Saberia da história da família Dellamour. E mesmo assim, perguntara.

- O avô do prefeito, é ele. Por isso as pessoas vivem aqui. Zuricoara só está em pé por causa de seus feitos. Diria ao velho, olhando firmemente aos seus olhos.

O velho, Gustavo. Chegaria perto de mim, passaria a sua mãe entre o meu cabelo e olhos. E falaria bem perto:

- Sinto pena por você ler tanto, e não saber a história concreta do avô do prefeito. Se morres de amor por ele, pessoas morreram antes por desavenças. Procure saber se você realmente está estudando sobre a pessoa certa, pois a qual eu conheço, não passou de um mero conquistador de terras por força maior.

O jovem, pasmo com o momento, olhara aos olhos do Senhor Gustavo, e viria algo que nunca viu em ninguém.

- Por quê acreditaria no senhor? Perguntaria ao velho.

- Irá acreditar em quem? Num livro contando a própria história da família Dellamour tendo como o escritor o próprio filho? Não me faça rir, garoto. Vão embora!

O velho apontara a porta de saída do estabelecimento ao jovens, que indecisos e com medo daquele rabugento, correram em direção á rua o mais rápido possível.

Já algumas quadras da velharia, o jovens se debatiam sobre o que acontecera.

- Nunca mais volto naquele lugar! Aliás, o açaí de lá é sem doce, como o dono! Falaria Lucas ao seus amigos.

- Ele tem raiva. Diria eu para que todos soubessem.

- Raiva do quê, Tomás? Perguntaria Felipe ao seu companheiro.

- Raiva dos Dellamour's. Ficou clara, ele provavelmente tem suas razões. Deveriamos descobrir.

- NÃO, NÃO, NÃO! Viram o que aconteceu hoje? Quase fomos mortos! Amanhã tem a grande festa, preciso comprar algumas roupas. Diria Higor correndo em direção á sua casa.

- É, Tomás. Melhor deixarmos de lado isso. Amanhã nos vemos. Diria Lucas, acompanhado por Felipe.

Bom, no fim da história, eu era o único curioso por saber o que aconteceria com o velho Gustavo e a família Dellamour. Mas saberia que hoje eu não conseguiria nada. Sentei no banco da praça, e acalmei os meus pés na pedra que havia na frente.

Saberia dizer-lhes que não passava de uma cidade comum, muito pelo contrário, haviam segredos inesgotáveis aqui.

CAPÍTULO VI - O FILHO DA DELEGADA

O garoto mais esperto da cidade, todos sabiam que haveria um futuro brilhante nas mãos daquele jovem. Filho da Delegada Dulce Perez, a família de João sempre foi reconhecida por ter membros que fizeram boas universidades e retornaram á cidade para alcançarem algum cargo público.

A mãe de João se classifica como um desses. Estudara no Rio de Janeiro, onde conhecera o pai de João, Carlos Silva. Viveram no rio até os 10 anos de João, onde, já abalada pelo casamento desvirtuoso, divorciou-se de seu marido, e voltou para sua terra natal, trazendo João consigo.

Mãe solteira, delegada da cidade. O exemplo de mulher forte que tornava a cidade de Zuricoara a mais segura da região.

O Relacionamento da delegada com o Prefeito Hércules, não era nada bom. A senhorita Dulce, sabia que Hércules tinha alguns segredos sobre a administração da cidade, e sempre comentava com o seu filho sobre tais coisas.

João, se espelha muito em sua mãe. Sabe que o fato principal para as suas escolhas, sempre passa por ela.

Baixo, um pouco acima do peso, usara de costume seus óculos que acompanhavam o desenho de seu rosto. De hobbies, tinha desvendar os casos que apareciam na delegacia, não sobre a cidade de Zuricoara, mas as outras da região. Contava os casos para seus amigos, assustando-os com a tenebrosidade de cada caso. É, João era menino muito conhecedor de acontecimentos.

Chegando em casa após uma tarde na cidade. João perguntara á sua mãe.

- Conseguiu provas sobre o que o prefeito está escondendo, mãe?

Senhorita Dulce, adentrando seus saltos de 10 cm, retira-o, e senta-se no sofá vermelho que havia em sua sala de estar.

- Nada, nadica de nada. Aquele homem esconde muito bem seus segredos. Mandei o investigador Barbosa procurar indícios de alguma comunicação dele com facções da região, mas nada.

João contestando a falta de relatos conseguidos por sua mãe, diria:

- Hoje estava comentando com meu amigo, Tómas. Ele chegou logo agora da cidade grande. Ficou curioso, acho que ele poderia nos ajudar.

A senhorita Dulce, com um gole de água trazido por seu filho, responderia.

- Que Tómas? O neto de Dona Lucinda e do senhor Túlio?

- Sim, ele mesmo. Responderia João á sua mãe

- Ahhhh... Sei quem é. Ele está cursando direito na universidade, dona Lucinda me falou. Mas, filho. Creio que não tenha experiência com casos do tipo. Melhor não envolvê-lo nisso. Pode ser perigoso, não gosto que você comente sobre o prefeito, se cair em mãos erradas...

- Não se preocupe comigo, Mãe. Sei me cuidar. E claro, entendo o que a senhora quis me dizer sobre isso. Irei tomar cuidado.

O jovem, levantara o sofá e iria em direção ao seu quarto. Colocara em seu ouvido seus fones, e ouviria suas bandas favoritas enquanto adormecia naquela noite calorenta.

CAPÍTULO VII - UM AMOR ENTRE A FILHA E SEU PAI

Era sábado, o dia da tão falada festa. As pessoas estavam vangloriando sobre o que o prefeito prometera. As ruas já enfeitadas, o grande palco já posto, barracas com vendas de comidas típicas da região embaralhavam nas ruas, o acesso de todos parecia ser pequeno. A grande igreja enfeitada de ''junina'' culminava no ponto máximo da cidade, e até a praça, de onde economizou água, as fontes foram ligadas para festejar o grande dia. Era para dar tudo certo, tudo nos conformes, a noite seria perfeita.

Helena, a filha do prefeito. Viria a casa de seu pai, como de costume. Ainda trouxera suas amigas, Lídia e Tâmara.

As duas dentro de tão pouco tempo, fortaleceram um ciclo de amizade tão grande, que as unia até fora do colégio de freiras.

Naquela tarde, de sábado. Helena chegaria á cidade.

- Pai! Helena iria de encontro ao seu pai, que estaria parado em frente a sua casa.

O pai olharia a sua filha, beijaria sua testa. E falaria.

- A cada semana você está mais linda. Mais parecida com a sua mãe.

Segura a mala de sua filha, ainda deu de cara com as suas amigas.

- Olá, Lídia. Como está? Perguntara o Prefeito Hércule, de forma maliciona á Lídia, amiga de Helena.

- Essa é Tâmara. A filha do prefeito, apontavam para sua amiga novata.

- Olá, senhor Hércules. Diria, Tâmara, entusiasmada.

- Como vai, senhor Hércules? Cumprimentaria, Lídia. Com um tom adocicado ao pai de sua amiga.

O ato de Lídia, causou adversidade para Helena, que nunca víria sua amiga tão decente como daquela maneira.

- Vamos entrar, meninas. A festa logo irá começar. Diria o prefeito.

Todas subiram as escadas, para a casa do prefeito. Se instalaram na moradia de forma calorosa.

Helena sentia falta de sua mãe, que falecera há dois anos. Lembrara da mesma, ao avistar o quadra enorme de sua família, onde estaria sua mãe, seu pai, e ela mesmo, criança.

Dona Galvão fazia muita falta á sua filha, falecera de forma inesperada de câncer. Diagnosticada apenas 2 semanas antes da morte. Helena, dessa forma, resolvera ir morar com as freiras, devido ás diversas brigas que tinha junto ao seu pai.

No encontro do mesmo, na sala de estar, sentaria no sofá, que de costume a sua mãe debruçaria as tardes, após o almoço.

- Pai, a cidade está muito linda. Enfeitada, as pessoas estão felizes... Mas por qual motivo o senhor quis fazer essa festança toda? Perguntaria a jovem, ao seu pai.

- As pessoas precisam um pouco de entreterimento, a diversão as vezes é essencial. Todos devem se divertir, não achar? O pai responderia á filha, segurando um cordão na mão.

- Veja. Achei esses dias nas coisas de sua mãe... Dei á ela esse cordão quando casamos. Quero que fique com você. O pai chegaria perto da filha, e atrás de corpo, colocaria o cordão, e fecharia o mesmo.

- Ele é lindo, em você ficou como em sua mãe. Passaria a mão entre os olhos e ressentiria a perda que tivera.

A garota viraria seu corpo, e iria de encontro com o espelho que estaria naquela sala. E avisaria ao seu pai.

- Ficou lindo. Lembro da mãe usando-o. Obrigado, pai. Cheio de águas em seus olhos, a moça abraçaria seu pai com todo agradecimento.

Então pai e filha vivenciaram um momento de alegria, depois de um longo tempo de discussões.

CAPÍTULO VIII - Á MARGEM DA PAIXÃO

A festa, ora, a festa. Arrumei o meu cabelo, passei até gel para o lado. O perfume que minha avó me daria para o dia, tinha mais cheiro do meu avô. A camisa já passada estava tão cansada em seu olhar no espelho, que narciso sentiria inveja daquela ocasião. Estava radiante, a meu ver. Barba feita, cabelo penteado, cheiroso e roupas limpas. Era a hora. Fui de encontro com a cambada que chamava de amigos.

Lucas pareceria ter sido lavado á jato, estava bem arrumado. Nem se falava no Rigor, que todo na moda, esbanjava seu novo corte de cabelo. Já Felipe, estava na sua, não pareceria tão contente assim, vestiria as mesmas roupas de sempre. E claro, o meu amigo João. Bem arrumado, como de costume. Dessa vez, deixara seus óculos em casa, e pusera uma de suas lentes.

Todos os cavalheiros estavam prontos para a grande festa. Ou poderia chama-la de grande "Dúvida?".

João me contara que sua mãe havia conseguido arquivos que comprovavam que o prefeito desviava dinheiro de uma fazenda, perto da cidade.

- Então é isso, Tomas. Foi tudo que minha mãe me contou. Creio que ele consiga o dinheiro assim. Falaria João para mim.

- Mas, João. Não sei se imaginou. Mas se ele extorquia o dinheiro, por que cobraria o aluguel mais caro? Perguntaria ao meu amigo, que naquele momento pareceria mais confuso.

- É, acho que o grande detalhe está ai. Para onde vai esse dinheiro a mais.

Responderia a dúvida de seu amigo, com uma pergunta que se arrastaria.

- Mas, hoje é dia de festa. Amanhã podemos visitar essa fazenda, procurar algo. Hoje só alegria. Dizia eu para meu amigo, para que ele entrasse na diversão.

Todos os jovens foram em direção ao palco, onde aconteceria o show. E antes que eu adentrasse naquele, avistaria Helena. Ela estava radiante, seu vestido branco, como de costume, seus olhos esverdeados, o batom que passara em sua boca, remontaria mais o formato, o seu cheiro seria inigualável. Cheguei mais perto da moça, e olhei-a como se fosse o último dia de minha vida.

- Acho que você está mais bela do que o normal para essa festa. Diria á Helena.

- Obrigado, se isso foi um elogio. O senhor também está muito perfumado. São rosas? Perguntaria Helena ao jovem Tomas.

- Na verdade, esse perfume é mais velho que eu. Diria á moça, que cairia em gargalhadas.

- Você não quer sair do meio dessa multidão e ir á praça comigo? Falaria em meio á todos, mesmo sabendo que ficaria difícil da moça escutar.

- Vamos, lá é melhor. Helena seguraria o braço de Tomas, e correria com ele em direção á praça.

Chegando à praça, os dois sentaram, nos bancos, cansados naquela praça que envolto de pessoas, e alegria, assombravam aquela cidade.

- Não perguntei o seu nome, senhor. Qual é? Perguntaria a jovem Helena, olhando aos olhos de Tómas.

- Prazer, Tómas. Havia esquecido de me apresentar. Muita correria. O seu eu já sei, parece ser famosa na cidade, não é, Helena?

Helena riria com a situação, e falaria ao jovem.

- Bom, ser filha do prefeito não é nada fácil. Mas creio que em cidade pequena as coisas rodam mais rápida. Aliás, vão achar até que estamos namorando.

Ficaria encarando a jovem por um instante, olhando como poderia existir uma mulher tão bela quanto ela. Saberia naquele instante detalhar cada parte de sua face.

- E se estivéssemos, qual o problema? Perguntaria com um tom de irônia á moça.

- Eu não posso, Tómas. Serei Freira. Responderia Helena á Tómas.

- É isso que você quer? Ser Freira? Perguntaria numa frequência anormal á garota.

- É, acho que é. Não tenho muitas certezas em minha vida. Responderia a moça ao jovem, que sentado ao seu lado, estariam tão enconstados.

- Eu acho que não. Falaria á moça encostando mais próxima da mesma.

Num ato de instantes, Tómas passaria sua mão entre o braço de Helena, até chegar ás mãos da própria. Com o braço esquerdo, faria o movimento, que viria de encontro com a nuca da moça. Os dois num encontro intenso entre bocas, chocaram-se num amor trêmulo, num beijo onde os anjos se encantariam, e derretiriam no quão quente estaria a situação. O beijo resultou num ardor das partes.

Os jovens se levantaram, e foram em direção ao beco que havia próximo á Igreja. Continuaram a se beijar, numa faminta ocasião, onde todo o amor fora despejado e a imensidão que as estrelas colhiam, foram levadas aos prantos, todos faziam parte desse amor acelerado.

CAPÍTULO IX - O COMEÇO DO FIM

Os jovens estavam se esbaldando no show, pulavam, dançavam e gritavam ao som da banda mais conhecida da região.

- Quaaaanta gente! Falaria o jovem, Felipe, suado devido aos pulos sequências que estaria dando.

- Acho que irei comprar algo para comer em uma das barracas. O jovem Felipe iria em direção as barracas para comprar alguma comida.

- É, sim. Bastante. Mas vocês sabem onde está Tómas? Perguntaria João, curioso em saber onde se encontraria o seu amigo.

- Eu o vi indo com Helena, acho que estão bem... Responderia também suado, Lucas.

A festa realmente estaria em seu ápice. Aos arredores, pessoas se beijando, dançando, e inusitadas cantorias vindas de vários que curtiam o show.

Mas, envolto de um barulho tremendo, ao lado da santíssima igreja, todos correram para ver o que seria. O barulho fora tão intenso, que até quem estava do outro lado da cidade conseguiria ouvir.

João estava chegando, juntamente com Higor e Lucas. Quando de longe, avistaram uma roda. Todos paralisados, pareceria haver algo surpreso ali.

Os jovens caminhavam olhando as frustações dos outros, alguns até choravam ao verem aquilo.

- O quê está acontecendo? Perguntaria João á um de seus amigos.

- Não faço ideia, espero que não seja algo grave, pois os rostos estão indicando isso... Falaria Higor num tom valente á todos.

A imensidão trilhava num margem desiquilibrante. As pessoas não se mexiam. E ao verem aquele que seria um corpo atirado ao chão, envolto de sangue. Uma das pessoas que ali na multidão estará, falaria:

- É o preeeefeito. Fora tão alto a gritaria, que todos ao seu redor puderam ouvir, e conhecer, que realmente o corpo debruçado, seria do Prefeito Hércules.

- Impossível. Falaria o jovem, João, surpreso ao olhar aquele corpo.

- Como isso? Responderia, Lucas, de maneira equivocada a fala de seu amigo.

A polícia se alastraria no local, colocando suas faixas para que as pessoas ficassem o mais longe possível das cenas do crime.

A delegada apareceria, e olharia o surpreendente corpo caído naquele chão de paralelepípedos, na esquina da santíssima igreja da cidade. Encontrada mais fielmente, ao lado da praça, que hoje, havia seu lago tomado por enfeites, e milagrosamente, água.

Tudo estaria fora do normal, desde a semana que fora noticiado a festa. E por surpresas de muito, o corpo estirado, naquela via, seria do prefeito de Zuricoara.

CAPÍTULO X - DO AMOR, NASCEU A MORTE.

O jovem casal estava insaciável aquela noite, beijos e mais beijos se alastravam naquela escuridão sem fim. O amor consumiam seus corações.

Até, que mesmo envolto de escuridão, uma pessoa, de roupas largas, uma touca e sem sapatos, passaria naquele beco entre as árvores que ali estavam. O único vácuo de luz, fez com que a jovem Helena avistasse uma parte daquela pessoa. Os becos daquela cidadezinha, eram tão pequenos, que sentir a presença de outra pessoa, mesmo que no escuro, pareceria fácil.

- Tómas, xiuuu. Está ouvindo? Tem alguém aqui. Falaria a jovem, Helena, com as mãos na boca de Tómas.

- Eu ouvi sim. Mas deve ser alguém da festa. Deixe-os. Não se preocupe, estarei aqui para lhe proteger. Diria Tómas, olhando ao rosto da bela moça.

Voltaram a se beijar amorosamente naquela escuridão. A pessoa, parecia só está de caminho. Ouviram-se novos passos, mas dessa vez, culminou na saída daquele que seria desconhecido aos olhos na escuridão.

Tómas estaria tão feliz a ponto de conseguir contar as estrelas, mesmo não tendo a visão de um céu tão estrelado, devido as árvores que estariam em sua volta.

Mas, numa fração repentina de segundos. Os jovens ouviram um barulho desconhecido. Mais pareceria uma construção caindo em ruinas, ou, uma pancada entre carros. Instantes depois, a gritaria tomaria conta. Estaria tudo perto, a gritaria, igreja, e o beco onde os jovens se amavam.

- Tómas! Que barulheira é essa? Debatia-se a jovem, sobre o que estaria acontecendo á alguns metros dali.

- Eu não sei. Será que vem da festa? Responderia á sua amada.

- Acho que sim, não sei se teria haver com a festa. Venha, vamos ver. Puxaria Tomás pela mão, e o levaria até o lugar do incidente.

A jovem Helena parecia está sentindo uma coisa ruim, os seus neurônios avisavam-na para que estivesse no local. O casal subiria aquele que seria a rua que dava acesso á igreja, e deparavam-se com uma multidão envolta. Tomás avistaria um de seus amigos, e gritaria:

- J-O-A-O! J-O-A-O! Gritaria Tómas, chamando o seu amigo.

João naquele instante, olharia para trás. E iria em direção ao seu amigo, que estaria segurando as mãos da moça. A cada passo que João daria ao encontro dos mesmos, passavam-se recordações de como se despediu de seu pai, no Rio de Janeiro. E choraria pela moça, naqueles passos que mais pareciam uma maratona contra a própria chegada.

- Eu sinto muito, Helena. Falaria o jovem, João, á moça.

- Pelo o quê, João? Responderia Helena, com um olhar duvidoso ao amigo que havia feito, nos tempos de escola.

- O seu... o seu pai. Falaria gaguejando á Helena.

Helena numa fração de segundos, desprenderia das mãos de Tómas, e iria correndo em direção á multidão. Todos olhavam a bela garota, filha do prefeito indo em direção ao cadáver. A multidão se abriria, e Helena pode ver o seu pai atirado no chão, ensanguentado.

A garota passaria as barreiras que a polícia colocara naquele lugar, e em meio á multidão, abraçaria o seu pai, morto, naquele chão empoeirado. Lembraria das vezes que o pusera para dormir, nas noites de sábado, dos passeios ao sítio do seu avô, e aos churrascos nos fins de semana. Choraria com ele em seus braços, e o sangue que nele estaria, passaria agora a escorrer nos braços de Helena.

Helena encarava o cadáver, como se o tivesse sugando um pouco de força que ainda restaria. Mas sabia, que o seu Pai se fora. E não havia mais ninguém nesse mundo que a ajudaria da mesma forma.

Delegada Dulce, sabendo que a garota estaria sofrendo naquele momento, chegaria perto de Helena. Agacharia ao lado, e falaria á mesma.

- Minha querida, não podemos depreciar as provas. Sei que está sofrendo, mas faremos de tudo para ir atrás da pessoa que fez isso. Num movimento leve, a delegada tiraria a jovem Helena, e abraçaria naquele local.

- Vamos, venha comigo. Diria a delegada, Dulce. Envolvendo a jovem de conforto, levando-a para a casa da mesma.

Os jovens, ainda surpresos com o que estavam vendo, olhariam de tempo em tempo para ver o que aconteceria. O corpo de bombeiros havia chegado, e com muito cuidado, tirariam o corpo do prefeito daquele local.

As pessoas aos poucos saíam da multidão, e parecia normalizar a região. As barreiras policiais ainda estavam naquele canto, e a marca de sangue, ainda manchada naquele paralelepípedo. Mal sabiam as pessoas, que a tranquilidade estaria prestes a se transformar num caos.

CAPÍTULO VI - PERITOS AO PERIGO

Sentado, e pensando em possibilidades, os jovens estavam assim próximo ao local do acidente.

Felipe chegaria com alguns bolinhos em suas mãos. Sentaria em um dos bancos.

- Onde você estava, Felipe? Perguntaria o seu amigo João.

- Ué... Fui comprar comida.

Os jovens olharam Felipe, como que se fosse melhor conta-lo sobre o incidente.

- O prefeito está morto. Diria Higor.

- O que aconteceu? Perguntaria Felipe indagado.

- Foi morto a tiros, em frente a igreja. Seu cadáver ainda está jogado, ao lado da igreja. Responderia Lucas.

As ideias eram constantes, quem seria capaz de matar o prefeito de uma cidadezinha? A pergunta era óbvia.

- Acho que foi o açougueiro da rua de baixo. Ele sempre falava mal do prefeito, não havia um dia que ironicamente, ele não falava dele. Falaria Lucas, em meio á inquietude do local aos seus amigos.

- Não, não pode ter sido o açougueiro da rua de baixo, ele é como nós. Falamos mal do prefeito, mas não teríamos coragem de cometer uma atrocidade dessas. Diria João, sentado, e com a mão no queixo, tentando alguma possibilidade de resolver o caso.

- Bom, uma coisa é certa. Quem fez sabia a hora e o lugar exato. É uma pessoa muito inteligente. Falaria Higor, admirador de séries de terror.

- Eu não sei, sinceramente. O prefeito era uma pessoa que tinha uma popularidade bem consistente. Talvez a pessoa que tenha o matado, não seja alguém que esteja contra os seus ideais. Responderia Tómas, aos seus amigos.

João relutaria em pensar, até mesmo, em casos passados, onde em algumas madrugadas, ajudaria sua mãe a sintetizar as informações decorrentes que nele as encontravam.

- Já sei. Podemos resolver esse caso. Nós cinco. Diria João aos amigos.

A cara de todos foi literalmente desacreditada. O que faria que cinco jovens começassem uma aventura no entorno de um assassinato, numa cidade de interior. Pois bem, essa pergunta rondou a cabeça de todos. Mas, diante o acontecimento de fatos anteriores, e sabendo que Helena precisaria de sua ajuda, futuramente. Tomás levantaria, e olharia nos olhos de todos. Respiraria fundo, e falaria.

- Podemos resolver tudo isso. Vamos conseguir. Mas só se todos estiverem de acordo. Helena está sofrendo agora, viu seu pai exposto á cidade toda. Creio que esteja mal, coitadinha. Quero puder achar que fora o culpado de tudo isso. Preciso de vocês, pessoal.

Os jovens olharam com uma cara de confiança, diante o discurso que Tómas realizaria á todos.

- Iremos ajuda-lo. Todos nós estamos com você. Responderia Higor, enquanto, Lucas e Felipe, reclinavam a cabeça, como dizendo que também estavam de acordo.

Naquela noite, ficou provada a união daquele grupo. E o começo de um longo trabalho.

CAPÍTULO XII - A INVESTIGAÇÃO

A cidade chorava angustiada a perda daquele que fora o seu representante. O prefeito, mesmo em meio a problemas, sempre fora uma pessoa participativa na vida pública daquela cidadezinha. Costumava durante toda a semana, tomar café na padaria do senhor Carlinhos, conversar, e trocar ideias com os cidadãos que lá estavam.

Quem o via, não imaginaria que pudesse ter inimigos, a ponto de leva-lo á morte. O ponto mais difícil, de fato, seria encontrar provas que comprovassem atitudes do falecido prefeito, que poderiam dar causa ao fato. E talvez, João tivesse.

- Tómas!! Acordeeeee! Gritaria o jovem João, em frente a casa dos avós de Tómas.

Naquele momento, no segundo andar, e na varanda, Tómas apareceria usando suas vestes de dormir, que mais pareciam um uniforme escolar dos anos 70, daquelas escolas militares.

- João, são 7:00 horas da manhã... o quê faz aqui? Perguntaria ao seu amigo, João.

Mesmo sem ter tido a permissão de seu amigo, João adentraria a caas dos avós de Tómas. Subiria as escadas, e daria de frente com o seu velho amigo.

- As provas! Estão aqui! Isso com toda a certeza nos ajudará a resolver esse caso. Olhe-as! De uma maneira até que escrachada, João remontaria o prazer de ter tido conseguido algo que poderia ajuda-los.

- Deixe-me me ver. Falaria Tomás, indo de encontro com os documentos segurados pelo seu amigo.

Os documentos foram postos na cama, e de forma organizada, João os pegaria e colocaria na ordem exata cronologicamente.

- Olhe esse, o Prefeito pediu empréstimo da fazenda daquele povoado, na entrada de Zuricoara. A Fazenda é do senhor Adalberto. Diria João, apontando o documento para que o seu amigo pudesse pega-lo.

- Incrível. Agora sabemos a razão pelo qual ele faria a festa. Falaria o jovem Tómas, como se estivesse entendido todo o esquema, porém, mal saberia de todo o enrosco.

Os jovens passaram aquele dia tenebroso lendo e relendo provas que pudessem comprovar um possível acusado do assassinato.

A noite cairia, e João se despediria de seu amigo. Adentrando naquela que seria uma rua de cidade deserta, as noites pós tragédia pareceriam ser menos seguras. Os postes que iluminavam a cidade, estavam extinguindo-se naquela escuridão sem fim. As portas das casas estavam trancadas, e até as árvores, numa tonalidade repicada de gótico, davam medo. A atenção de cada passo, mostraria o quão a cidade estava naquele instante. Mas tudo ocorreu bem, hoje. E João estaria nos braços de sua mãe, para acompanharem programas televisivos á noite.

CAPÍTULO XIII - A VIDA DE HELENA

A jovem Helena, vinda de família considerada rica, nunca precisou se situar sobre as suas condições financeiras. Os seus vestidos, sempre pagos pelo seu pai. Nem se falavam das joias, dos sapatos, de viagens e restaurantes chiquerrímos, enfim. Nunca teve que arcar com as custas. Mandada ao convento, quando ainda tinha seus 16 anos. A morte da mãe contribuiria para o fato. Seu pai não aguentava mais os mimos que a filha daria as economias. Helena, juntamente com sua amiga Lídia, foram para as altas montanhas localizadas na parte mais alta da cidade. Lídia, por sinal, filha de um riquíssimo fazendeiro, o senhor Adalberto, nunca precisou como Helena, custear o que comprava.

As duas jovens, que levavam vidas parecidas, se uniram naquele ninho religioso, e formavam junto com Tâmara, um grupo de amigas unidas.

As coisas no convento funcionavam á base de regras. As visitações apenas nos finais de semana, e todo fim de semana, Helena voltaria para Zuricoara e visitaria o seu pai.

Devido á ocupações profissionais, Lídia não gostava tanto de voltar para casa, seu pai era uma pessoa difícil de se lidar. O trabalho nos imensos hectares da região, ocupavam-no e não tornavam tão gentis a ida de sua filha para casa. Por isso iria juntamente com sua fiel escudeira todos os fins de semana á sua casa.

Mal saberia Helena, que nas noites, após conversarem sobre diversos assuntos com sua amiga, Lídia se deitaria com seu pai, e se entretiriam de prazer. Foram meses assim, prefeito Hércules, com mais do dobro da idade de Lídia, caiam de amores em quatro paredes. Além do relacionamento de puro prazer, acabavam se encontrando, perto do convento, de baixo de algumas pedras, que alavancavam o muro, daquele campo exorbitante, que rodeava a castelaria do convento.

O mal relacionamento de Helena, com seu pai, passava um pouco de como o próprio a tratava. Dando-a como o conflito que tinha com tudo em sua volta. 

Agora, Helena, teria que unir suas forças para combater um mal maior, ou talvez, combater uma felicidade interna que pareceria mais um átomo, surgindo devido morte de seu querido pai.

CAPÍTULO XIV - HONRA SE CONQUISTA

Adentrando a janela entreaberta, fugiria um rastro de sol. A vítima seria os olhos adormecidos do jovem, João. O garoto, cansado, devido á pesquisas e mais pequisas que fizera durante a madrugada, levantara de sua cama, com os pés no chão, e vestido um pijama que mais parecia uma túnica japonesa. Iria ao encontro da cozinha, para tomar um gole de café, até se deparar com Helena...

- Uouuu... O quê está fazendo? Perguntaria o jovem, á moça, que numa roupa curtissíma, mostraria partes sensuais.

- Perdão, não me troquei devidamente... Sua mãe me convidou para passar alguns dias aqui, não queria voltar ao convento... provável que já tenha se espalhado por lá. Diria a jovem, abraçando os seios.

- Tudo bem, não precisa desculpar-se. Fui pego de surpresa, ultimamente, nem minha mãe tenho visto perambulando nessa casa. Falaria o jovem, que logo em seguida bocejaria.

Helena, com costume em desempenhar afazeres domésticos no convento, iria ao encontro dos acessórios necessários para fazer o café.

Sentando-se ao redor da mesa, que estaria ao centro da cozinha, os jovens começariam a conversar.

- Você ainda está impactada com o quê aconteceu ao seu pai? Perguntaria João, á Helena.

- Um pouco... Sabe, meu pai sempre fora um homem que guardava seus segredos, não seria de grande espanto que algo acontecesse com ele... ou talvez, até comigo.

João refletiria, e olharia á garota, indo ao encontro á suas mãos...

- N-A-D-A acontecerá á você. Pode ficar tranquila, todos nós lhe protegeremos. Diria olhando aos olhos da moça. 

Naquele instante, Helena devolveria o olhar para João, e os dois, se olhariam, quietos, ao som dos pássaros que, piavam ao fundo, nas gaiolas do quintal. 

A campainha tocaria, e os dois se assustariam, levantando-se e rumando caminhos distintos.

- Deve ser Tomás, vou lá ver. O garoto fora ao caminho da porta, abri-la.

- JOÃO! Pensei em algo! Falaria com tanta alegria, que ao ver que a jovem Helena, atrás do amigo,se perguntaria.

- O que está fazendo aqui? Perguntaria á Helena.

- Estou por aqui, falei com a mãe de João. Não quero voltar ao convento, Diria a jovem, para Tomás.

Naquele momento, o jovem Tomás reviraria o olhar ao seu amigo, como dizendo '' Por quê não havia me contado?'' e, logo em seguida, rumaria em direção á jovem, Helena, tirando-a um beijo apaixonante.ules.

CAPÍTULO XV - PERÍCIA DE FATO

João havia juntado um monte de teorias que poderiam explicar a morte do prefeito Hércules. Talvez, tratava-se de uma simples divida, decorrente de empréstimos, como ficara documentado em documentos, achados na delegacia. Ou, até mesmo, algum tipo de vingança... tendo ocorrido, devido alguns fustrações do passado. 

Para isso, João deveria ir mais afundo sobre a vida do prefeito. E teria que começar logo.




Crie seu site grátis! Este site foi criado com Webnode. Crie um grátis para você também! Comece agora