Escrituras, XXI
A moça da esquina
Pôr-do-sol mais lindo que vira, foi naquela tarde de dezembro, daquele meteórico ano de 2008. Quem diria, que ao virar aquela esburacada rua eu encontraria a garota mais reluzente que passara em minha vista. Sim, foi tudo isso mesmo, eu enchergava algo além de tudo que podia imaginar. Alta, sim, talvez, não tenho um senso apurado de tamanho, mas sabia que meus batimentos estavam escapando qualquer escala de altura.
Logo de cara tentei olhar para os lados, sabe, não mostrar o quanto estava surpreso com aquilo. Passara férias no condôminio do meu primo, e fora dali que tal garota saira.
A noite chegava, e eu, sentado a sua espera, é algo tão dramático de falar que vou tentar diminuir o tom ''árcade'' desse texto. Fiquei esperando a mesma entrar pelo portão, não sei o que faria, tinha meus 11 anos, e mal sabia conversar com garotas, E foi, de tanto esperar, que a reluzente criatura aparece. Puf, não conseguia tirar os olhos da mesma, acho que assustei-a só com o lance do olhar, mas era magnífico, nunca me esqueço, coisa de outro mundo.
No dia seguinte, já estava bem feliz por saber que naquele condôminio havia de certa forma alguém por quem eu me interessava. O que faltava era um pouco de sorte e apareceu naquela noite.
Estava lendo alguns quadrinhos, em frente á portaria, sentado num banco de praça, preto, que por sinal, já passei diversas situações ali. E adivinha, a garota aparecera, eu, bom, assustei claro, mas resolvi chama-la.
Dei um ''Oi'' timído, e ela deu um ''Oi'' super feliz. Bom, não posso descrever o quão feliz fiquei com um mero ''Oi''. E ficamos boa parte daquele dia conversando. A felicidade tomava conta até dos meus pelos pubianos, sim, eu tinha alguns.
Nome dela era Ludmilla, significado é... bom, eu esqueci, mas é algo admirador, não entrarei em detalhes.
Foi a melhor época da minha vida, quando eu acordava a primeira coisa que eu queria era vê-la, sentir o perfume, olhar nos olhos, e escutar sua voz. Não me recordo de algo tão sincero assim, mas, nem tudo dura pra sempre, e não seria dessa vez. Ludmilla, fora embora 3 dias depois, 72 horas, foi o tempo que durou o meu primeiro amor.
Dialogo I
- Ando tendo insônias ultimamente
- Por quê?
- A cada instante seu sorriso invade meus sonhos
Verso I
O seu perfume é como o cheirinho do café,
me levanto todos os dias querendo sentir
Frase I
Deixo á ti o poder de escolher o amor para o restante de sua vida, só não esqueça, o restante da minha você sempre será.
AQUELE DRAMA I
Debruçado em minha mesa, vejo-me pensando onde poderia ter acertado e como deveria ter feito. O momento do breve filme da desastrosa vida passa em minha mente.
Posso mudar tudo?
Esquivo meu corpo, e acordo daquele pensamento suicida que passara, estou pronto para tentar.
Veja, mais uma vez, o quê consigo? Nada, nada...
Pois é, vou levando rapaz.
Diálogo II
- Sente-se, está preparada para ouvir a história de nossas futuras vidas?
- Como quiser, caro morto marido.
Frase II
Não deixe de acreditar naquela chance em sua vista, talvez, a mesma nunca tenha aberto um vago espaço na janela para ser avistada AINDA.
Verso II
Tenho á mim, um sonho em ti.
Tenho em vós, um sonho ''em nós''
Posso ouvir a canção eclodir
Posso ver sua boca me morder
Talvez não seja dessa vez
Será que foi minha timidez?
Dou te um fim
criação do meu dizer
pensamento do meu saber
o amor do querer
que não quero mais
não quero mais
não quero mais
não quero mais
não quero mais
não quero mais
não quero mais
não quero mais
não quero mais
não quero mais
não quero mais
talvez eu queira
Detalhes do amor
Você toca esses meus olhos cansados
E mapeia minha face linha por linha
E de alguma forma envelhecer não parece tão mal
Sendo que do seu lado sempre estarei
Eu posso não ter o toque mais suave
Posso não dizer as palavras mais suaves
E embora eu tente ser frio
O meu coração está sempre aquecido ao seu lado.
A Chuva
Você faz meu coração sentir como se fosse verão
Quando a chuva forte cai
Você faz meu mundo todo parecer tão certo quando está errado
Arrependimento
E se eu te dissesse como a nossa história terminaria? Você mudaria alguma coisa? Estou assustado, mas eu sei que não vai durar muito, porque eu estou aprendendo o que eu deveria ter feito antes. Vamos lá, dê uma casa nova para esses fantasmas, queime nosso passado, medos e todos esses ossos, eu deveria ter visto muito antes. Essa é a minha vida, e eu não vou correr em círculos, terminando onde eu comecei, então moça, segure em mim, vamos queimar lentamente, e fazer nossos corações pulsarem, como o texto insignificante que acabei de escrever.
Pedacinho de você
Reviraria ao seu suspiro, resistiria á cada traço de sua face, e olharia firmemente aos seus olhos. Passaria minhas mãos por sua boca, chegando ao pescoço, saberia nesse instante detalhar cada pedaço seu. Mal saberia eu, que o maior pedaço seu estaria dentro do meu coração.
A vírgula que é o amor.
Quem deve nos impedir de abrir nossos corações, arriscar tudo em prol de uma vida que amamos... podem até duvidar de nós, quando perdemos o caminho, mas nós chegamos tão longe, aumentando assim, cada erro, e nem sempre é fácil, mas estamos aqui, e aqui continuaremos, prontos para encontrar o que nos fazem humanos, o amor e suas diversas vírgulas.
Folhas cobertas.
Eu ando pelas mesmas estradas, já fui tantas vezes, que encontro as folhas cobrindo a luz do sol. Me diga os misterios dessa estrada, vago há decadas atrás daquilo que me convém, venha ao meu encontro, me ajude, sou um cego nesse mundo de dor, quero sentir aquilo que mais aprecio, deixe me ver, tocar e sentir o quão maravilhoso é o seu amor,
Olhar de calmaria
Já telefonava pra ir aquela bendita festa, naquele ano de 2015, amigos e loucuras novas, talvez era isso que precisava. Partiria naquela tarde ensolarada em busca de diversão, lembro-me ser a festa de uma garota que sempre conversara, estaria há alguns anos abaixo na grade escolar minha, mesmo assim mantinhamos a amizade. Cheguei nesse prédio imenso, conhecido como ''Antares''. Logo me pus para dentro, e viria tanta gente desconhecida que me afujentei perto de uma das cortinas daquele salão. Passara horas, e eu tomando minha bebida e olhando a felicidade alheia das pessoas, não sabia que a minha estava prestes á cruzar aquele porta... Baixa, cabelo enorme, feições magníficas, não me cansara de olhar á ela. Poderia detalhar cada passo e suspiro que daria naquela tarde de dezembro. Saberia eu, que ali estaria o início de algo. Foi tudo tão depressa que nem tempo deu de falar com ela, fui embora juntamente com os loucos que me rodeavam...
Início do ano letivo de 2016, não havia mais nada na minha cabeça além dela... Procurava todo intervalo saber quem seria a tal garota da festa. Posso dizer-lhe que fiquei meros 2 meses tentando saber quem era, até, que numa manhã, meu amigo, me avisara, depois de tanto drama envolvendo cada detalhe dela, que a garota que eu procuraria estaria na classe de tal pessoa amiga dele... Logo percebi, e olhara á ela todo santo dia. Pareço ser um pouco maníaco, mas eu não sei o que dava em mim...
Por meio de uma amiga, consegui o contato da mesma e conversaríamos por bastante tempo, até saber e ter a certeza, que seria ela a garota que eu gostaria de passar um bom tempo.
Desenhava seus traços numa folha de papel, e não ligava o quão infantil isso parecera. Entregava-a, escrevia poemas e tentava ser gentil cada vez mais. Devo avisar-lhes que não trata de uma romântica historia, nem de uma tragédia por saber que a mesma não tinha afeição por mim. Trata-se de como as pessoas podem amar as outras sem ao menos se esforçar, algo natural, que convém da pessoa. Digo que o final foi triste, viria ser algo horripilante vivido por uma pessoa como eu. Sentia raiva, chorava e lamentava, mas nunca, nunca, quis que não tivesse acontecido.
Aprendemos com acertos, e não com os erros como dizem... Erros servem como alertas e acertos para tentarmos novamente com diferentes pessoas, ah, claro, eu acertei.
Taquiardia
Deixe-me lembrar a última vez que meu coração bombeava tanto
confundia com um taquiardia,
é díficil não querer,
é simples prover,
sinto que o tempo aberto agora está totalmente fechado,
Deixe-me lembrar a última vez que meu coração bombeava tanto
que só ao seu encontro tornava-o irreconhecível,
é fácil querer,
difícil encontrar.
Essência da mágia
Lembro da minha querida avó, quando dizia que existem vozes que querem ser ouvidas, possuem tantas palavras, mas não conseguem encontrar a maneira certa de dize-las, a essência da magia, está ai dentro,no maior meio de nos comunicarmos com o mundo, não, não é o seu smartphone, nem seu notebook, é o seu coração.
A velhice do amor
Encostado ao assento daquele trem, colocava minha cabeça debruçada na janela. Passara pelo caminho diferentes paisagens, e inúmeras pessoas. Olhara tudo em volta, e recordara momentos de felicidade em minha vida, o quão bom teria sido o tempo pra mim. Vejo-me com meus 80 anos, pele árdua e a velhice já havia chegado aos meus cabelos, que agora estavam esbranquiçados. Nesse momento, o espelho era meu pior inimigo. Naquele trem, conseguia observar casais, crianças, homens bem sucedidos, idosos e pessoas pensando em suas futuras vidas. Já havia passado o tempo em que planejara tantas coisas, e ultimamente, só esperara o dia da suculenta morte chegar.
Passos no vagão, uma moça com um longo vestido vermelho, olhara firmemente em meus olhos no momento que passara lentamente por mim. Aqueles lábios adocicados pequenos, olhar flamejante e inquieto, seduzia-me à cada instante de segundo que aparecera em minha vista. Como o orgasmo, ela se fora, levantei-me e tentei procurar a mesma. Fui ao lado norte, e ao sul do vagão. Desfrutei de cada detalhe daquele minúsculo pedaço andante em trilhos. Voltei-me ao meu assento, consenti a perda que tivera, e pensara durante um bom tempo o porquê da ocasião. Fora a tal moça, com aquele vestido vermelho, me lembrara de uma mulher que transformou a minha vida.
Como poderia esquecer de tal jóia, me levou ao paraíso em questão de tempo, fora a pessoa com quem sempre quis ter meus filhos, dividir a casa, a cama e a vida. Conheci-a quando havia seus 15 anos, companheiros de ginásio. Namorados na infância, até o nosso casamento, aos nossos 23 anos. Lua de mel à beira do rio São Francisco, adiado.Lembro que o pequeno nascera no inverno daquele ano seguinte, olhos eram da mãe, quem diria, que dentro de nós dois, sairia o tesouro mais belo que vira em toda minha vida. Anos passaram, o trabalho ficaria firme a cada instante, e todos os dias, a minha bela mulher me recebia de braços e coração aberto, completariamos ali, 20 anos de casados. Cabelos brancos, Dores nas costas, contas e mais contas... Isso nos tiravam do sério. As brigas acumulariam, os boletos eram mais importantes do que a palavra que nos unia, o eu te amo. 40 anos de casamento não estava nada bom, e viria a piorar. A mulher que amara fora diagnósticada com câncer no ovário, terminal. Não havia cura além do nosso carinho, eu e meu filho. Lutamos e lutamos, tentavamos pedir aos céus para que um milagre acontecesse. E 55 anos de casado, falecera a pessoa que havia me dado tudo. A luz veio busca-la, seu lugar agora era longe de todo amor que havia dentro de mim. Bom, desfrutei de todas lembranças que encontrara naquele trem, com um vaso ao lado do meu assento, olhara e chorara. Fim, havíamos chegado ao lugar de destino. O Rio São Francisco. Fora ali, há mais de 50 anos, que prometera leva-la em nossa lua de mel, mas diante à tantos problemas, nunca a trouxe. Deixei o vaso no chão, retirei a tampa, e peguei as cinzas. Joguei naquele rio de águas claras. Por um segundo a água brilharia, o sol estava se pondo e os pássaros voando ao redor da clarera do luar.
Sentei na pedra ao lado, e olhei ao céu. Desejei que todas as pessoas um dia encontrassem alguém com quem quisessem
trocar chicletes no intervalo do ginásio, enrolassem os pés debaixo da coberta, mormurace em seu ouvido a palavra que viria ser a mais concreta, eu te amarei... Para sempre.
Biologia Ataner
Os seus olhos castanhos mexeram comigo desde o primeiro momento, conseguia notar até meus sonolentos batimentos aguçarem até a parte inferior do meu peito. Aquele nó na garganta, do sabor do amor descendo entre á traqueia.
Nunca fora bem em Biologia, nem em ciências, mas sabia que naquele vácuo de instante, nada poderia explicar o que estara acontecendo comigo, absolutamente nada.
Paralisado, conformado, seria talvez a palavra mais coerente. Viraria o rosto, e olharia á outras garotas. Perguntei-me, por quê não sentira a mesma afeição por outra? Mesmo com a retórica, saberia a resposta.
O menino da árvore
O sol ruivara arduamente sobre aquela árvore, onde beirara pequena sombra. Eu, fiel leitor do nosso caro romancista José de Alencar, sentara num pequeno espaço que havia entre o tronco e as raízes envelhecidas daquela árvore. O livro que pegara na biblioteca da minha pequena cidade, me recordara o quão seria bom ter encontrado um amor antes dos meus 18 anos. Ao encontro da primeira página daquele empoeirado de capa, vira o meu pai vindo.
Sentara próximo a mim, e mesmo enxuto de suor, me dera um copo D'agua. Perguntara a mim porque estara naquele ambiente, e eu, responderia com tom de voz inquieto, a má sorte que a vida me traria. Meu pai passara a mão em sua testa, retiraria gota a gota de suor nela encontrada, e responderia a minha frase.
Fora aqui que conhecera sua mãe, quando fecho meus olhos ainda consigo sentir a brisa, a suave que rodopiava à nossa volta naquela noite, posso enxergar seus olhos nítidos de paixão, que tranquilos pousavam sobre os meus, numa conversa que fluía como minutos, corridos sem perceber... suas mãos eram minhas, o momento, nosso, nada mais era preciso, só um tronco, uma árvore e uma boa conversa. O caminho que tomara ao seu encontro, olhara todas as noites as estrelas que me mostrara no mesmo dia. Os lábios adocicados tocavam o meu naquele luar, debaixo daquela árvore.
Pedira em namoro no dia de seu aniversário, um presente, que agora deitara ao meu lado, se aconchegara, no aperto envolto num abraço de socorro, e que no consumismo de mim, prometera me amar até o último suspiro de sua vida.
No encontro de suas mãos aos olhos, meu pai agora enchugara suas lágrimas, e não mais o suor que tivera. Olhara a mim, e dissera com sincera simpatia. Sua mãe deixara uma semente quando fora embora, eu a plantei, e hoje, vejo-a crescendo. Filho, você se tornará a mais bela árvore, com raízes esbeltas, troncos largos e folhas esverdeadas. Terás um momento que algumas cairas, mas não se deixe abalar, você se renovará,e crescerá, até o momento onde encontrará a sua bela flor. Essa também lhe dará um fruto, onde você cuidaras pelo resto de sua vida.
Ficara assustado com tal fala do meu pai, abraçara fortemente. E finalmente me conformara com uma das mais duras e sinceras realidades de todas: toda planta tem seu tempo. Ainda que sejam ervas daninhas, até elas têm seu tempo.
Angustiava-me que meu tempo de florescer não fosse logo aos 18 anos e me angustiava ainda mais pensar que não havia previsão de quando floresceria, mas ouvindo o conselho de meu pai, finalmente pude ver beleza nisto. Macieiras e mangueiras demoram anos e anos até ficarem fortes e grandes. Mas quando o fazem, dão frutos deliciosos durante anos e anos, alimentando várias gerações.
Não sei bem quando encontrarei o par de olhos que se apaixonará pelos meus, mas quando encontrar, seremos dois lindos pares de olhos apaixonados que verão filhos, netos e bisnetos e nosso amor será imortal, através de todas gerações quanto possíveis;
Nossa história alimentará muitos, assim como a de meus pais me alimentou.
Encontro desolador
Os anos passam, as nuvens se abrem e mostram o lindo sol à minha vista. Sou suspeito de comentar, diria um poeta, "Quando achar-te, não precisará olhar ao céu para saber se choverá hoje". Até então, não entenderia o verdadeiro significado de tal escritura, e foi com o tempo descoberto.
Achara que a coisa mais importante seria de certa forma encontrar alguém que realmente entendesse quem seria eu, e aprendi, que era ao contrário... Eu deveria encontrar alguém e mostrar o quão significante era a vida dela, a importância que traria para todos envoltos à própria. Talvez eu tenha tido êxito, ou não, essa é uma dúvida, uma mescla de sentimentos que trazem perguntas à si mesmo. O amanhã? Bom, estarei tentando novamente.
O horizonte das escolhas
O horizonte não parecera mais o mesmo, as nuvens que antes timidas, hoje embaraçam num céu trêmulo, envolvido de uma cor acinzentada. Voltando á sua cidadezinha, após quinze anos, o homem, que saíra dali para estudar, hoje já era doutor.
Lembrara em seus sonhos durante a noite, na parada que fizestes num hotel, á beira da estrada, o quão significante seria as pessoas que havia deixado para trás. A moça morena, de cabelos longos, vestira um vestido tão grande quanto seus lindos cachos... estara alegre em ver o homem, o momento parecera único, se não fosse o inquieto som de seu despertador, acordando-o daquele que parecera o mais perto da felicidade que havia encontrado dentro de tão pouco tempo.
A vista de sua cidade, encantava seus olhos, as montanhas, os animais que mergulhavam numa alegria sem fim, naquelas campinas. Ele estara de volta, chegara na casa onde fora criado,com um gesto de agradecimento, abraçastes forte sua mãe. Fora aproveitar o que havia esquecido de bom, mas uma coisa ele nunca havia esquecido. A moça de seus sonhos, que nesses quinze anos, tomara conta de sua vida tumultuada, abrangiu nada mais que a felicidade perpetúa de um sonho sem fim.
Viria perguntar á sua avó, sobre aquela jovem que se apaixonara durante sua adolescência. A velha, que beirara já seus setenta anos, vestira naquele dia chuvoso, uma de suas meias favoritas, com seus chinelos, relaxara em sua banqueta, ao lado de um mangueiro. A velha recordara muito bem da jovem, que em questão, já havia casado e tido filhos. Contou-lhe todos momentos que acontecera na vida daquela jovem, que no final, acabara entrando em depressão profunda, e nesse momento, encontrara numa situação desoladora, não reconhecera mais ninguém, nem seus próprios filhos.
O homem, no mesmo instante, procuraria o lugar onde a moça de seus sonhos estaria encontrada. E achara, a clínica de sua cidade.
Fora numa tardezinha, ensolarada, sem muitas pessoas. Falara na recepção que fora um amigo de ginásio, gostaria de vê-la e dar-lhe um abraço.
No momento que entrara no quarto, viria a moça sentada, em uma das cadeiras que haviam próximo á uma janela, onde passara entre a abertura, pequenos raios de sol, iluminando o lugar. Sentara também, e olharia o rosto da moça.
Durante o ginásio, namoraram durante um bom tempo, e fizeram promessas um ao outro, o Homem, que hoje formado, reitera em sua imaginação, o quão apaixonante eram as tardes que passavam na casa que havia perto do rio, com noites saborosas de amor, risadas e carinhos. As alegrias que vivenciavam junto as suas famílias, comemorando datas de comemorações felizes. Viagens que faziam e que gostariam de fazer futuramente.
Mas, os dois cresceram, o Homem não gostaria de viver mais naquela cidadela, queria ver o mundo, conhecer coisas novas, aprender novas línguas, e isso não era o que a moça gostaria. Diante ao caos de sentimentos e males, fora embora para capital, estudar. E a moça simples, ficara d'onde nunca queria ter saído. Encontrara na cidade, o que gostaria de sempre ter tido, porém, ficara inquieto e pensante como teria sido a vida ao lado dela. E foram esses anos que o mudaram, não só ele, mas ela.
A moça, teve seus filhos, casara e viria a ver seu marido falecer. Passara por um momento difícil, e veio a ficar depressiva. Não sabia quem mais era a mesma, não tinha consciência de sí.
Olhara ao relógio na parede, por um instante, caíra de seus olhos algumas de suas lagrímas que sentira ao sair daquela cidade, há quinze anos. Levantara, e fostes a direção da moça. Ajoelhara, e segurara á sua mão. Com um simples movimento, beijara a mão daquela mulher, que pálida diante daquele quarto, olhara fixamente ao homem, sem reconhece-lo e ao menos saber o que fazera. Sentira naquele breve instante de tempo, que suas escolhas mudaram suas vidas, e pensara como poderia ter casado e tido filhos com ela.
Fora embora daquele quarto, mas com o coração na mão. Gostaria de ir aquela casa do rio que sempre fora com a moça.
Sentara em uma pedra grande que havia entre uma das correntesas daquele rio, e vira seu nome e de sua amada escrita naquela pedra. Voltaria a olhar o céu, e o horizonte, parecia ter aberto algumas das nuvens que ele sempre quis conhecer, mas sempre havia aquela dúvida de que o certo vinha do coração ou da imaginação
.A lataria que é o coração
O moço que passara todos os dias em frente á minha casa não estava mais, me deparei que no quinquazésimo dia daquele ano sem ver o tal homem, uma mulher, de vestido florido, cabelos longos e usando em sua face, um óculos preto, maior que o desenho do seu rosto natural, passara na redondeza daquele bairro pouco habitado. A curiosidade me tomou conta, quando a mesma dirigia-se ao lugar onde sempre eu ficara sentado, observando as pessoas.
- Você é o velho Ótavio?
Perguntara a moça cheirando á rosas num outono deprimente.
- Sim, sou eu. Mas... como a senhorita sabe o meu nome?
O velho de certa forma, teria a razão de fazer aquela pergunta inoportuna á moça.
- Meu pai, há anos sempre passou por essas redondezas, e me contara em toda sua vida que avistava um homem cadeirante em frente á sua casa, diante disso, gostaria de lhe contar uma história.
A moça parecia realçar uma voz desiquilibrante no momento que falara de seu pai.
- Sim, o conheço. É o seu João, estudou comigo na escola estadual Don Cássio, há 3 quadras daqui.
O homem pensativo, olhara firmemente aos olhos daquela moça.
- Você então é a Isabella, certo? Eu a conheci, quando era um bebê.
Isabella, a moça, sentara em uma das escadas que haviam na escadaria.
- Meu pai deixou para mim uma carta, onde o remetido era o senhor. Gostaria que eu lhe entregasse.
Naquele momento, a moça daria a cartilha de papel tão velha quanto ao homem cadeirante, e saira daquele local, deixando o velho indagado com a situação.
O velho, chamado Ótavio, abrira a carta, e diante ele, caíra uma foto de João e ele juntos, em frente á um carro, que costumavam chamar de Dalila
O incrível Dalilamovel, carinhosamente chamado pelos dois amigos. Compraram o carro no início dos anos 60, assim que se formaram no colegial. João e Otávio eram grandes amigos, moravam um perto do outro, tinham sonhos parecidos, e uma amada também.
Naquela época, haviam conhecido uma garota, Helena. A tal moça despertou o amor dos dois jovens amigos. Sua beleza exuberante deixava-os inquietos, com pretensões acima do esperado em ocasiões adversas. João estava tão apaixonado pela linda moça de cabelos louros, pele macia, boca carnuda e um corpo de dar inveja, que se aponderou da situação, e deixou de lado quaisquer barreiras que estavam entre ele e a moça.
O relacionamento dos dois geraram desconforto ao amigo Otávio, que numa noite, brigaram feio. Os dois amigos então, ficaram sem se falar desde o acontecimento.
João casou com Helena, e tiveram juntos, Isabella. O seu amigo, Otávio, não casou, não teve filhos, e vivia uma dramatica vida, nunca esquecendo o fato que culminou na separação do seu amigo.
Bom, depois de relembrar tudo que acontecera há alguns anos, o homem abrira a carta e leria.
'' Jovem e teimoso amigo, Otávio. Venho por meio desta carta referir-se á ti como um verdadeiro hipócrita! Sim, é exatamente isso que está lendo. Se estou lhe enviando essa bendita cartilha, é porquê vim a falecer. Ver você me olhando com aquele olhar rancoroso todos os dias em que passara em frente á sua casa, me deixava um pouco desolado. Sei que há 40 anos, eu escolheria Helena para passar a vida comigo. Ela é o meu alicerce, tudo que eu sei que sou é graças á ela. Meu deu uma linda filha, Isabella, á quem o segundo nome, tem a sua assinatura, Otávio. Mas, não vim falar sobre mim e Helena. Conheci-o quando era apenas uma criança mimada, jogavamos bola como se o dia nunca fosse acabar, olhavamos o céu, e contavamos todas as nuvens com formato de ovelha ao voarem naquela brisa arrastadora. Otávio, não sou o melhor amigo do mundo, e nunca serei. Todos esses anos eu imaginava como seria se ainda estivessemos juntos, comemorariamos o natal em família, a páscoa num sítio só com conhecidos, e o ano novo naquele cabrunco do meu pai, em Santos. Sinto sua falta meu amigo, e me arrependo por não ter corrido atrás de nossa amizade. Hoje, é o meu último dia de vida, e queria que você não se sentisse magoado por tanto tempo perdido, deixei á você o nosso querido Dalilamóvel, restaurado, na garagem da casa antiga de minha mãe. Esse objeto representa o quão grande é a nossa amizade, meu amigo. Guarde-o com todo amor, pois eu sempre levarei você em todas as minhas caminhadas nas nuvens com formato de ovelha que contavamos quando eramos pequenos. Abraços e te amo meu velho amigo, Otávio.''
O homem naquele instante não se aguentava mais, chorara como uma criança. A dor parecia enorme, e fora naquele instante, que daria conta do quão rápido passa a vida, d'onde não devemos deixar que sentimentos malignos nos corrompam, e deixe-nos apropriar de mágoa. Otávio havia perdido mais que um amigo, um irmão de vida. Mas havia ganho algo que sempre quis ter, o amor perpetúo de uma vida sem fim.
Os dias passam, você não
O ano é contado pelos seus dias, aprendemos dessa maneira, são exatos 365 dias onde nós mergulhamos em nossas profundas vidas, vivemos e aprendemos diariamente diferentes coisas. Porém, de tudo, você é a única esperança que não muda dentro de mim, diante todos esses 365 dias, 8.760 horas, 525.000 minutos e 31.536.000 segundos.
O cheiro de Eliza
A noite estrelada, era vista dentre a pequena abertura que havia entre a janela do meu dormitório. Pensativo, colocara a mão entre a cabeça e, olhando ao teto, recordara do quão bom era sentir o cheiro de Elisa.
Fui á guerra, estara há 3 anos fora de minha cidade. Chamado á pressas, o oriente médio em chamas se encontrava, ali, perto daquela península, encoberta de petróleo.
Os dias eram enraivados, treinamentos atrás de treinamentos, comida sem nenhum tempero. Os nervos tomavam cada vez minha volta. Os colegas, de profissão, também fuzileiros. Estavam como robôs, não exaltavam felicidade alguma.
E foi naquele dia, logo após aquela noite estrelada, fui chamado á uma missão que estava fora de rotina, um ataque. A base, encontrada ao lado do Mar, estaria em constante fogo. Éramos responsáveis por defende-la, e dar-lhe nossa vida.
Antes de sair, sentei-me na cabeceira da cama, e olhara para os cantos. Chorando, batia na parede com força. Avistei uma pequena folha, de papel. E peguei uma caneta, bem devastada pelo exagerado uso, comecei a rabiscar naquele papel.
"Todas as noites, eu olho dentre o céu, para ver se em algum lugar consigo lhe encontrar. Lembro-me de quando andavamos naqueles campos floridos, mergulhavamos naquele gramado, e nos beijavamos. O mundo era única, só eu e você. Nas tardes tomavamos café, contando histórias sobre nossa infância, de como crescemos e aprendemos a nos gostar. E claro, não poderia faltar, nossos mergulhos matinais, naquele ribeirão, que passava em nossa cidade. Eu me lembro de tudo isso, Elisa. Sei, que hoje, está casada, tem filhos e com toda certeza, vive uma vibrante vida. Você é, e sempre será, a mulher de minha vida. Aos meus dezoite anos, fui chamado para servir nosso país, e deixei-a para trás. Achei que fossem alguns dias, ou talvez, semanas. Pois é, aqui estou, 3 anos. Tempo em que sinto saudades de nós, do seu cheiro, do jeito que me olhava, daquele seu sorriso, que vibrante, me deixava sem graça. Tentei diversas vezes escrever algumas cartas á você, mas não conseguia. Sentia que havia lhe abandonado, e não deixado nenhuma explicação. Perdão, se algum dia, pensara isso. O meu objetivo sempre foi ajudar o próximo, e eu me sentia seguro assim. Vim, aprendi a sobreviver. Hoje, sou um homem formado. Já lutei em diversos campos de batalha, conheci pessoas más, e já, me feri bastante. Porém, o maior ferimento que levei da vida, foi ter deixado você, minha flor. Eu não me arrependo, porquê sei que salvei vidas. Mas sei, que você me salvou. Quando meu pai falecera, eu não tinha a companhia de ninguém, um menino de dez anos. Com toda a sua simpatia, veio á mim. Me mostrou o quão bom é viver, as coisas boas, como era amar. E hoje, irei á uma missão, que não sei se terei vida para avisar-lhe que o maior aprendizado de minha vida, foi ter amado. Espero vê-la em breve, e poder novamente, trocar algumas palavras com você. Até logo, Eliza.''
Deixara o meu dormitório, com lagrimas escorrendo pelo meu rosto. Sentara no helicoptero, decidido que era importante salvar aqueles homens. E fora em direção ao ponto de ataque.
Poderia contar-lhes detalhadamente como a linha de batalha estava sangrenta. Como os homens gritavam de pavor, o medo nos olhos de todos. O jovem, em todos os intantes, protegeu seus amigos, e diante tanto esforço, faleceu, com um tiro no peito. Seu coração fora devastado por chumbo. O filme de sua vida passara em sua cabeça, como dizem em filmes. Eliza, era a única imagem que conseguria ver. Os batimentos aos poucos, paravam, com seus amigos o carregando.
O jovem, morreu salvando seus amigos, naquele campestre. Não aguentou a dor, no campo de batalha e falecera.
A sua carta, deixada em cima de sua cama, fora mandada por um de seus amigos á seu verdadeiro remetente. E entregue, 2 meses depois.
Eliza, hoje mãe. Abrira a carta, com sua bebê, em seu colo. Iria as lagrimas, relembrando os bons momentos. Colocaria a sua criança no berço, e iria em direção ao seu quarto. De baixo de sua cama, estaria uma caixinha, com fotos do seu antigo amor. Colocaria aquela carta ali. E, com forças que vinham de um outro mundo, se ergueria.
O amor havia ensinado aquele jovem, que o mais importante da vida, não era a sua própria vida. O verdadeiro valor, era, de fato, saber que a sua vida não é mais valiosa que nenhuma, e a cada minuto, saber valorizar todas as outras. Ele morreu naquele campo de batalha, mas, em Eliza, sobreviveu um sentimento que nunca seria tirado dela, o amor ao próximo.
